Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
LOGO QUE NASCI

Logo que nasci

Foi-me dada ordem

De me procurar.

Logo assim e aqui

Não vou ter descanso

Em nenhum lugar.

Natércia Freire (1920)

Antologia Poética


música:

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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
o que é ...
 
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura ...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...
Miguel Torga                                                                                                           foto: fernandoliveira


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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
As palavras
“ Não estamos no tempo de inventar palavras.
As palavras já foram todas inventadas.
Estamos no tempo de reinventar as palavras,
Que já foram todas inventadas.” 
Almada Negreiros


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Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Maio
É o mês que o calêndário romano dedicava à deusa Maia, mulher de Vulcano e identificada com a divindade grega do mesmo nome, filha de Zeus, noutra versão, uma das Plêiades, filhas de Atlas e Plêione. Encarnava a Primavera e protegia a vegetação. Por vezes, a etimologia de Maio aparece radicada em majores, os senadores, os anciãos detentores do poder em Roma.
 
 
Foto: FernandOliveira/98

Texto de Orlando Neves, in, Dicionário da Origem das Palavras, 2001



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Domingo, 31 de Dezembro de 2006
Ano Novo
 
 
Eu quisera que a paz que no céu mora,
baixasse à terra como pomba mansa,
e deixasse no peito de quem chora
toda a paz que há nos olhos da criança;

Trouxesse ainda ramos de oliveira
para pôr nas bandeiras, uma a uma,
a fim de que, de vez, na terra inteira
só reinasse a da paz e mais nenhuma.

E haveria depois paz sem medida
nos corações que morrem por não tê-la;
e brilharia assim na nossa vida,
a luz que o céu nos deu por uma estrela.

Se o ano novo tal bem nos trouxesse,
oh! Que ventura e que dom urgente!
e assim será, por certo, se esta prece
brotar do coração de toda a gente.

Alfredo de Magalhães
 


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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006
Poesias de Natal


 

 

 

 


 Natal

Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?

Sidónio Muralha
Obras Completas do Poeta
Lisboa, Universitária Editora, 2002

DIA DE NATAL

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

 

É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

 

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

 

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

 

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

 

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

 

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

 

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.

 

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

 

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

 

Ah!!!!!!!!!!

 

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

 

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

 

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

 

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

 

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

 

António Gedeão


 

É dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

 

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.  
 

Fernando Pessoa 

 


 

 

Ao Menino Deus em metáfora de doce


            Romance

       - Quem quer fruta doce?
- Mostre lá! Que é isso?
- É doce coberto;
É manjar divino.
       - Vejamos o doce;
Compraremos todo,
Se for todo rico.
       - Venha ao portal logo;
Verá que não minto,
Pois de várias sortes
É doce infinito.
       - Desculpa, minha alma.
Mas ah! Que diviso?!
Envolto em mantilhas,
Um Infante lindo!
       - Pois de que se admira,
Quando este Menino
É doce coberto,
É manjar divino?
       - Diga o como é doce,
Que ignoro o prodígio.
- Não sabe o mistério?
Ora vá ouvindo:
       Muito antes de Santa Ana,
Teve este doce princípio,
Porque já do Salvador
Se davam muitos indícios.
       Mas na Anunciada dizem
Que houve mais expresso aviso,
E logo na Encarnação
Se entrou por modo divino.
       Esteve pois na Esperança
Muitos tempos escondido;
Saiu da Madre de Deus,
depois às Claras foi visto.
       Fazem dele estimação
As freiras com tal capricho,
Que apuram para este doce
Todos os cinco sentidos.
       Afirmam que no Calvário
Terá seu termo finito,
Sendo que no Sacramento
Há-de ter novo artifício.
       Que seja doce este Infante,
A razão o está pedindo,
Porque é certo que é morgado,
Sendo unigénito Filho!
       Exposto ao rigor do tempo,
Quando tirita nuzinho,
Um caramelo parece
Pelo branco e pelo frio.
       Tão doce é que, porque farte
Ao pecador mais faminto,
Será de pão com espécies,
Substancial doce divino.
       É manjar tão soberano,
Regalo tão peregrino,
Que os espíritos levanta,
Tornando aos mortos vivos.
       Tão delicioso bocado
Será de gosto infinito,
Manjar real, verdadeiro,
Manjar branco, parecido!
       Que é manjar dos Anjos, dizem
Talentos mui fidedignos,
Por ser pão de ló, que aos Anjos
Foi em figura oferecido

Jerónimo Baía
In A Poesia Lírica Cultista e Conceptista
Lisboa, Seara Nova, 1968


Natal Africano


Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.

Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.

Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.

Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.

Cabral do Nascimento
Obra Poética
Porto, Edições Asa, 2003




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Mensagens de NATAL

"O Natal é muito mais
que uma data
ou um dia no calendário.
É uma jornada do espírito,
das trevas para a luz,
do caos para a paz
da separação
para a união do amor"


Nesta estação das luzes,
sente o brilho que emana
de todas as coisas.
E depois deixa que este esplendor
te aponte para a Luz íntima
do Natal que habita
no teu próprio coração"


"O Natal é a festa de Deus
para os sentidos.
Observa os seus
sinais luminosos, inala
os seus cheiros aromáticos.
prova os seus gostos variados,
sente o clima
de encantamento"


Simplifica as tuas celebrações.
Grande nem sempre
quer dizer melhor.
Nem sempre o que é caro é o mais valioso.
O que leva mais tempo
nem sempre é o que dura mais."


"Decora a tua casa com alegria,
mas também com um sentido
muito próprio.
Deixa que algo de ti mesmo
e da história da tua família
fique expresso nas decorações".

Karen Katafiasz



publicado por oásis às 00:00
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006
Natal é...

Quando um Homem Quiser

 

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

 

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

 

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

 

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

 

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

 

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher


Intérprete: Paulo de Carvalho
Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos



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Domingo, 3 de Dezembro de 2006
Saber...
Saber ninguém pode
o que o lago esconde
em seu fundo seio.
Assim guardes tu
o que saibas de outros.
Melhor inda:esquece-o.
Canção-América do Sul, Quíchuas
Versão:Herberto Helder,
in, Rosa do Mundo-2001 Poemas para O Futuro, p.165.
    Foto: FernandOliveira/96
 


publicado por oásis às 21:52
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006
Fragile
If blood will flow when flesh and steel are one
Drying in the colour of the evening sun
Tomorrow's rain will wash the stains away
But something in our minds will always stay

Perhaps this final act was meant
To clinch a lifetime's argument
That nothing comes from violence and nothing ever could
For all those born beneath an angry star
Lest we forget how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star, like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are, how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star, like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are, how fragile we are
How fragile we are, how fragile we are
Fragile - Sting
Foto: FernandoOliveira/04


publicado por oásis às 23:48
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"O que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar"



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